Riscos ocultos em escrituras de inventário: o que verificar antes de assinar o compromisso de compra

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Riscos ocultos em escrituras de inventário: o que verificar antes de assinar o compromisso de compra

Você encontrou o imóvel perfeito, o preço está dentro do seu orçamento e o bairro é exatamente onde você queria morar. No entanto, ao solicitar a documentação, descobre que o bem ainda está sob inventário. Muita gente trava nesse momento por medo de perder o negócio ou cair em uma cilada jurídica. A verdade é que comprar um imóvel de espólio não é um bicho de sete cabeças, desde que você saiba exatamente onde colocar a lupa antes de assinar qualquer documento.

O perigo mora nos detalhes da partilha

O maior erro de quem busca o primeiro imóvel ou um investimento é tratar o compromisso de compra e venda como um contrato padrão. Quando há um inventário em curso, a propriedade do imóvel ainda não foi transferida definitivamente para os herdeiros. O que existe é uma expectativa de direito.

Imagine a seguinte situação: você assina o contrato com um dos filhos do falecido, paga o sinal e, semanas depois, descobre que outro herdeiro, que não assinou nada, discorda do valor da venda ou da divisão dos bens. Esse é o cenário clássico que trava a escritura definitiva. Antes de qualquer transação, verifique se todos os herdeiros estão de acordo e, mais importante, se todos os nomes constam no documento de compromisso. Se um único herdeiro ficar de fora, você corre o risco de ter um processo judicial bloqueando sua escritura por anos.

A dívida invisível que acompanha o imóvel

Muita gente esquece que, ao comprar um imóvel de inventário, você não está apenas herdando as chaves, mas também assumindo, indiretamente, o histórico fiscal daquela unidade. Nem todo inventário é transparente. Existem dívidas de IPTU, condomínio e até débitos trabalhistas que podem estar atrelados ao nome do falecido.

Se o imóvel não estiver com as certidões negativas em dia, o risco de o bem ser usado para quitar débitos do espólio é real. O que fazer? Exija que o inventariante apresente as certidões de feitos ajuizados de todos os envolvidos e do próprio imóvel. Não confie apenas na palavra de que “o inventário está quase saindo”. O “quase” no mercado imobiliário pode significar um período de espera de meses ou até anos. Verifique se o processo está correndo de forma judicial ou extrajudicial — este último costuma ser muito mais rápido e seguro para quem está na ponta da compra.

Por que contar com um especialista faz a diferença

Negociar imóveis que ainda dependem de partilha exige um olhar técnico que o corretor comum às vezes deixa passar. Um profissional experiente vai checar se o plano de partilha já foi homologado pelo juiz ou se o esboço da escritura pública já foi lavrado em cartório. Ter alguém que saiba ler as minúcias de uma petição de inventário economiza um estresse inimaginável.

Além disso, fique atento a estes pontos antes de qualquer assinatura:

Verifique se existe um inventariante nomeado e se ele tem poderes específicos para vender aquele imóvel.

Confira se há menores ou incapazes envolvidos no processo; se houver, o Ministério Público precisa intervir, o que torna o processo muito mais rigoroso e lento.

Documente todo o histórico de pagamentos e acordos, preferencialmente com o acompanhamento de um advogado imobiliário, para garantir que o valor pago sirva para quitar as taxas de ITCMD (imposto sobre a herança) que precisam ser pagas antes da transferência.

Comprar um imóvel vindo de herança pode ser uma excelente oportunidade de adquirir um bem com um valor mais competitivo ou em uma localização privilegiada, mas o planejamento precisa ser impecável. O segredo não é fugir dessas oportunidades, mas sim ter paciência e rigor na verificação dos documentos. Se o vendedor ou o corretor estiverem com pressa excessiva para fechar o negócio sem que a papelada esteja cristalina, desconfie. No mercado imobiliário, a pressa é quase sempre inimiga da segurança jurídica. Mantenha os olhos abertos e garanta que o seu sonho de casa própria não vire uma dor de cabeça burocrática.